# CIDADÃOS OPINAM SOBRE A CORRUPÇÃO EM ÁFRICA URL: https://www.transparency.org/pt/news/citizens-speak-out-about-corruption-in-africa Type: News Published: 2019-07-11 Updated: 2023-09-11 --- ![](https://images.transparencycdn.org/images/gcb_africa_web_feature.jpg?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1280&h=720) 11 julho 2019 A corrupção nos países africanos está a impedir o desenvolvimento económico, político e social do continente. É um grande obstáculo para o crescimento económico, uma boa governança e liberdades básicas, tais como a liberdade de expressão ou o direito dos cidadãos de exigir que os seus governos prestem contas. Mais do que isso, a corrupção afeta o bem-estar de indivíduos, famílias e comunidades. A décima edição do [Barómetro Global de Corrupção (GCB) – África](https://www.transparency.org/GCB10/Africa) revela que embora a maioria das pessoas na África acreditem que os níveis de corrupção aumentaram no seu país, elas também se sentem otimistas, pois acreditam que **os cidadãos podem fazer a diferença no combate à corrupção**. Global Corruption Barometer (GCB) – Africa | Transparency International A nossa investigação mostra que **mais de metade dos cidadãos** acha que a **corrupção está a piorar** no seu país, e que o seu **governo não está a fazer um bom trabalho** no combate à corrupção. O relatório também constatou que **mais do que uma em cada quatro pessoas** que usam serviços públicos, tais como cuidados de saúde e educação, **pagou algum tipo de suborno no ano anterior**. **Isso equivale a aproximadamente 130 milhões de cidadãos** nos 35 países pesquisados. Realizado em parceria com a Afrobarometer e a Omega Research, o Barómetro GCB é o maior e mais detalhado levantamento de opiniões dos cidadãos sobre a corrupção e as suas experiências diretas de suborno em África. A pesquisa incorpora os pontos de vista de mais de 47.000 cidadãos de 35 países em toda a África. ## INSTITUIÇÕES E SERVIÇOS Os cidadãos acham que a polícia é a instituição mais corrupta, sendo que 47% das pessoas acreditam que a maioria ou toda a polícia é corrupta. Estes resultados são consistentes com as conclusões do [relatório de 2015](https://www.transparency.org/news/feature/corruption_in_africa_75_million_people_pay_bribes). ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.36.39.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) Não surpreende o facto de que os relatos revelem de maneira consistente que a polícia recebeu o índice de suborno mais alto em toda a África. Outros serviços públicos, tais como utilidades públicas, incluindo eletricidade, água e emissão de documentos de identificação, tais como licenças e passaportes, também receberam altas taxas de suborno. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.37.46.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) ## QUEM ESTÁ A PAGAR SUBORNO? O suborno não afeta todas as pessoas de forma igual. A prática atinge mais significativamente os mais pobres do que os mais ricos. Isso significa que o acesso a cuidados de saúde, educação e proteções legais é muitas vezes negado às pessoas mais pobres, trazendo consequências devastadoras. Os jovens com idades entre 18 e 34 anos são mais propensos a pagar suborno do que as pessoas com 55 anos ou mais. A pesquisa revela como a corrupção está a afetar mais as pessoas vulneráveis. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.38.40.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) Pagar subornos por serviços públicos essenciais significa que as famílias mais pobres têm menos dinheiro para outras necessidades, tais como comida, água e remédios. ## TOMAR MEDIDAS Os governos têm um longo caminho a percorrer para reconquistar a confiança dos cidadãos. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.39.46.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) No entanto, apesar disso, os cidadãos africanos acham que a mudança é possível. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.40.45.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) > Os africanos acreditam que podem fazer a diferença. No entanto, os governos devem permitir que tenham espaço para tal. ## PAÍSES EM FOCO Vários países se destacam pelas suas taxas de suborno e níveis de corrupção, incluindo a República Democrática do Congo (RDC) e a Maurícia. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.42.19.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) ## REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO (RDC) [85% dos cidadãos da RDC acreditam que a corrupção está a piorar](https://voices.transparency.org/why-do-drc-citizens-report-such-high-levels-of-corruption-554fae0d2213). Esta é a maior taxa da região. O país também tem a maior taxa de suborno no continente (80%), sendo que a polícia recebe os mais altos índices de suborno (75%) entre todos os países e setores. ## MAURÍCIA Em contraste, a [Maurícia tem um dos mais baixos índices de suborno](https://voices.transparency.org/is-mauritius-at-a-tipping-point-in-the-fight-against-corruption-914e4d5ab878) da região (5%), sendo que a polícia também recebe uma taxa baixa de suborno (5%). Tendo em vista estes resultados positivos, não surpreende que mais de 55%dos cidadãos da Maurícia acham que as denúncias de casos de corrupção levam às consequências adequadas. ## INTEGRIDADE POLÍTICA Como parte da [nossa análise](https://www.transparency.org/news/feature/political_corruption_and_political_integrity_in_africa), comparamos as opiniões dos cidadãos sobre a corrupção relativamente a membros do parlamento com outros índices, tais como o Índice de Eleições Limpas que mede a corrupção nas eleições nacionais, e encontramos um vínculo direto. ## MEDIADORES ESTRANGEIROS Atores não-africanos também exercem um [papel importante na facilitação da corrupção](https://www.transparency.org/news/feature/where_are_africas_billions) em África através de subornos e lavagem de dinheiro internacionais. > A corrupção no setor público existe dentro de um contexto. Quando o dinheiro que deveria ser usado para financiar serviços essenciais, tais como saúde e educação, é levado para fora do país devido à corrupção, os cidadãos comuns são os que mais sofrem. É demasiado comum que os países que exportam um alto volume de bens e serviços internacionalmente [não investiguem ou penalizem as empresas que pagam subornos](https://www.transparency.org/news/feature/exporting-corruption-2018). ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.45.05.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) Por sua vez, os líderes políticos fazem acordos com empresas estrangeiras para promover os seus interesses pessoais à custa dos cidadãos que eles representam. ## RECOMENDAÇÕES Combater a corrupção em África requer uma abordagem holística e sistémica. Algumas das nossas principais recomendações aos governos africanos incluem: - Ratificar, implementar e reportar de acordo com a Convenção da União Africana sobre Prevenção e Combate à Corrupção (AUCPCC) - Investigar, processar e penalizar todos as denúncias de corrupção, sem exceção - Desenvolver padrões mínimos e diretrizes para práticas éticas de licitação pública - Adotar práticas de contratação aberta, que tornam os dados mais claros e fáceis de analisar - Recolher reclamações de cidadãos e fortalecer a proteção dos denunciantes - Permitir que a imprensa e a sociedade civil exijam a prestação de contas por parte dos governos5 ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.46.20.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) Os governos das principais economias, incluindo os países do G20 e da OCDE, e os centros financeiros offshore devem: - Estabelecer registos públicos, com dados abertos, contendo informações sobre os verdadeiros proprietários de empresas e fundos privados - Aplicar as leis internacionais de suborno - Implementar padrões contra a lavagem de dinheiro Líderes de empresas no mundo todo devem implementar padrões internacionais contra a corrupção e a lavagem de dinheiro. ![](https://images.transparencycdn.org/images/Screenshot-2020-04-09-at-11.46.59.png?auto=compress&fit=crop&fm=webp&w=1200) Para a lista completa de países pesquisados e informações sobre a abordagem de pesquisa, por favor, [veja aqui](https://www.transparency.org/files/content/feature/GCB_Africa_2019_Methodology_note.pdf). As principais conclusões de cada país estão [disponíveis aqui](https://www.transparency.org/files/content/feature/GCB_Africa_2019_Country_cards.pdf). Image: Zhi Zulu | zhizulu.com ## GCB - [Africa - 10th Edition 2019](https://www.transparency.org/pt/gcb/africa/africa-2019) For any press inquiries please contact ### You might also like... ## [Em tempos como este, transparência é mais importante do que nunca](https://www.transparency.org/pt/news/in-times-like-these-transparency-matters-more-than-ever-1) News • 19 março 2020