Brasil e os Jogos Olímpicos: três passos para revigorar a luta contra a corrupção

Esta semana marca a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Mas mesmo se o Rio, uma cidade conhecida pela beleza e o espírito festivo, fizer uma boa apresentação, não vai mascarar a crise que o Brasil e o esporte mundial enfrentam, nem sua principal causa: a corrupção.

Nos dias que antecederam a Copa do Mundo de 2014, também sediada pelo Brasil, milhões de pessoas foram às ruas expressar sua revolta com a corrupção no governo e o custo de sediar o evento. Este ano, há menos protestos, embora pouco tenha mudado.

No Brasil, a presidente enfrenta um processo de impeachment, mais de 50 políticos estão envolvidos no atual escândalo da Petrobras/Operação Lava Jato e o comandante da maior construtora brasileira está atrás das grades.

Nos esportes, o Comitê Olímpico Internacional (International Olympic Committee, IOC) enfrenta seu maior dilema desde 1999, após revelações de doping patrocinado pelo governo na Rússia. E embora os custos dos Jogos Olímpicos Rio 2016 não tenham sido tão excessivos quanto se esperava, houve alegações de corrupção e abuso de direitos humanos.

Não é de surpreender que a confiança nos políticos e nos esportes nunca tenha estado tão baixa. No entanto, não é hora de desistir nem de ceder à fadiga da corrupção.

Na Transparência Internacional, acreditamos que é possível vencer a corrupção nos setores público e privado.

TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL E O ESPORTE

Este ano, a Transparência Internacional dedicou o Relatório de Corrupção Global, o qual traz a experiência do movimento anticorrupção, para tratar de um assunto específico, que é a corrupção no esporte. O Relatório de Corrupção Global: Esporte apresenta mais de 60 artigos dos principais especialistas em integridade no esporte, dando ênfase à governança em organizações esportivas, megaeventos e resultados combinados. O relatório faz uma série de recomendações para governos, organizações esportivas e cidades que avaliam sediar grandes eventos.

Na 8a reunião de Ministros do Esporte da Commonwealth, a ser realizada no Brasil em 4 de agosto, Deryck Murray, presidente do capítulo da Transparência Internacional em Trinidad e Tobago, apresentará as recomendações do Relatório de Corrupção Global: Esporte. Murray é ex-jogador internacional de críquete, diplomata e coautor de Fair Play, as recomendações da Transparência Internacional para a reforma do órgão mundial de gestão do críquete.

Gareth Sweeney, editor do Relatório de Corrupção Global: Esporte, abordará a Associação Americana de Advogados (American Bar Association) no dia 6 de agosto sobre a Nova Arena da Corrupção: Esporte Internacional no Mundo Pós-FIFA.

TRÊS PASSOS QUE PODEM TRAZER MUDANÇAS, RENOVAR AS ESPERANÇAS DO BRASIL E REVIGORAR A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO

  1. Dar continuidade às investigações e ações jurídicas em andamento associadas ao escândalo de corrupção Lava Jato. Não se deixar influenciar pelo debate político polarizado no país, nem permitir a interferência de interesses poderosos que desejam ver o fracasso das investigações;
  2. Acelerar a aprovação pelo Congresso das 10 Medidas Contra a Corrupção propostas pelo Ministério Público e apoiadas pela assinatura de mais de 3 milhões de brasileiros;
  3. Criar um Sistema Nacional Anticorrupção devidamente dotado de recursos, com órgãos de supervisão internos e externos, como um ombudsman e escritórios de procuradores independentes, e que também ofereça um instituto nacional de acesso à informação e apoie unidades anticorrupção no Judiciário.

Nós estamos nos engajando com governos estaduais e institutos de pesquisa de todo o país para testar sistemas inovadores e oferecer meios para que os cidadãos cobrem a responsabilidade dos políticos e vigiem de perto a forma como eles gastam o dinheiro dos contribuintes. A luta contra a corrupção requer o mesmo tipo de estamina e resiliência de que os atletas precisam para ganhar medalhas. Agora não é hora de desistir.

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