Como utilizar o conteúdo do relatório da OEA para gerar reformas nos seus países?
As diversas fontes com que conta a Comissão de Peritos para avaliar o cumprimento dos países no Mecanismo (relatórios dos países, da sociedade civil, etc) são uma fonte de informação única para impulsionar reformas desde a sociedade civil. Para isso, é necessário que esta informação seja acompanhada de uma estratégia de incidência efetiva.
Os passos para planejar uma estratégia bem sucedida nos parâmetros das convenções anticorrupção encontram-se no Guia “Convenções Anticorrupção em América. O que a sociedade civil pode fazer para que elas funcionem ”.
Existem vários enfoques possíveis. O escolhido deve variar segundo cada país, grupo e assunto.
- Identificar temas chave
- Identificar atores chave
- Identificar mensagens e audiências
- Identificar aliados chave
- Identificar datas chave
1. Identificar temas chave
Para incidir na implementação da CICC, as organizações da sociedade civil deverão primeiro avaliar quais são as melhorias necessárias em seu sistema nacional, a fim de cumprir com os padrões e os requisitos previstos na Convenção da OEA e em seguida definir áreas prioritárias.
Geralmente é preciso priorizar para ser mais eficiente. Deste modo, por exemplo, ainda que as leis nacionais sejam deficientes em muitos aspetos, é possível enfocar áreas chave: pode acontecer de que as compras públicas no país sejam ineficazes e altamente vulneráveis à corrupção e, nesse caso, essa matéria se converterá num tema alvo para esforços de diagnóstico e reforma. Neste caso, é conveniente obter informação sobre a percepção da corrupção e a respeito dos níveis de risco e desempenho das instituições estatais nas compras públicas. A esses dados gerais será indispensável acrescentar informação específica que descreva os mecanismos de compras, as atividades e os recursos públicos envolvidos e os resultados obtidos. Se utilizar as recomendações da OEA, o trabalho das organizações consistirá primeiramente na identificação de quais delas são chave para que o esforço seja bem sucedido. A vantagem das recomendações da OEA está no fato de que säo medidas específicas provenientes de um organismo internacional e, portanto, não requerem fundamentos adicionais para a sua invocação frente a um país signatário.
2. Identificar atores chave
Para obter impacto em relação à implementação e monitoramento convêm identificar os atores chave nos processos decisórios. Dependendo da fase que se encontra o processo da Convenção e do sistema político do país, estes atores podem ser, dentre outros: o presidente ou o primeiro ministro, o gabinete, ou o congresso. Outros funcionários do governo que possivelmente possam exercer influência direta ou indireta nos processos de implementação são os ministros de justiça, da fazenda e os chanceleres, mas também funcionários que trabalham em assuntos relevantes, como as Comissões de Anticorrupção e ética, os Departamentos de Controladoria e as Comissões a cargo de processos de reforma do Estado.
Recomenda-se identificar atores que possam ajudar no processo, e tentar colaborar com eles nestes assuntos, a fim de influenciar anteprojetos de lei, regulamentos, políticas e práticas.
3. Identificar mensagens e audiências
A pergunta é: O que pode persuadir nossa audiência para que tomem a ação desejada? Em alguns países, e para determinados assuntos, pode ser necessário adotar uma posição cooperativa ao governo. Nestes casos, as OSC talvez prefiram se concentrar em pessoas com poder de decisão e enviar-lhes mensagens específicas. Mas, para outros países e no que diz respeito a determinados assuntos, possivelmente seja necessário desafiar publicamente a líderes do governo. Nestas situações, talvez as organizações tentem mobilizar os cidadãos através da mídia e de programas de educação pública.
Depois de identificar as pessoas-chave nos poderes executivo e legislativo, as OSC devem estabelecer a melhor forma de manter seus temas de interesse no primeiro plano na agenda destas pessoas.
A. Comunicação direta com o poder executivo e o parlamento, através de reuniões, correspondência e ligações, etc.
B. Trabalhar com a mídia pode ser uma das formas mais eficazes para a divulgação das mensagens; isto pode acontecer por meio de comunicados de imprensa, coletivas, publicação de relatórios, correspondências enviada aos responsáveis dos meios de comunicação, etc.
4 Identificar aliados chave
Se for devidamente divulgada a abrangência das convenções e seu estágio de implementação, possivelmente uma ampla variedade de OSC e entidades privadas poderiam identificar pontos comuns e mutuamente benéficos. No campo da anticorrupção, é possível descobrir muitas redes e coalizões da sociedade civil fazendo parte de campanhas. Os potenciais aliados incluem organizações que trabalham em direitos humanos, meio ambiente, acesso à informação, monitoramento do orçamento público, responsabilidade social das grandes empresas, saúde, educação e muitos outros.
5. Identificar datas chave
As OSC deverão também estar atentas a datas que correspondam a eventos especiais. Estas são oportunidades importantes para exercer pressão em escala nacional e internacional. Tais situações incluem datas nas quais os meios de comunicação estão especialmente interessados em esforços globais de combate à corrupção: por exemplo, dia 9 de dezembro, o Dia internacional da Corrupção, dentre outros.
Para mais detalhes relativos aos passos necessários e ações para obter atenção e cobertura da mídia, ou até mesmo para conhecer casos de organizações que fazem pressão, acessar o Guia: “Convenções Anticorrupção em América. O que a sociedade civil pode fazer para que elas funcionem?”.
home
print this page